E enquanto se aguarda a decisão do ministro da Educação Tiago Brandão
Rodrigues sobre as alterações na avaliação dos alunos do ensino básico, cujo
anúncio está previsto para esta sexta-feira, o Conselho Nacional de Educação
(CNE) divulgou esta tarde a sua opinião sobre o tema. E se não apresenta
grandes objeções em relação à eliminação dos exames do 4.º ano - praticamente
consumada no Parlamento a partir do momento em que todos os partidos de
esquerda aprovaram já na generalidade os projetos de lei do PCP e do BE nesse
sentido -, este órgão consultivo defende a manutenção das provas externas no
6.º e no 9.º anos, com peso na classificação final dos alunos. Porque o impacto
de fazer exames nacionais com este efeito ou apenas provas de aferição sem
impacto na classificação final é diferente. "Os exames têm uma carga
simbólica muito grande, mesmo que as pessoas saibam que a probabilidade de
alterarem as notas finais dos alunos é muito reduzida. O grau de mobilização de
pais e alunos é muito maior do que o que se verificou com as provas de
aferição, aplicadas no passado", explica David Justino, presidente do CNE.
Recorde-se que o PCP entregou um projeto de lei na Assembleia da República
defendendo o fim dos exames no 6.º e no 9.º anos e que o fim destas provas externas,
com um peso de 30% na classificação final de Português e de Matemática, foi
dado como garantido esta semana por alguns jornais, com o ministro,
supostamente, a preferir substituir estes testes por provas de aferição. O que
o CNE defende é que se eliminem alguns dos constrangimentos de que se queixam
as escolas em relação à experiência dos exames, em particular do 6-º ano, que
se têm realizado em maio, com o ano letivo ainda a decorrer. O excessivo
formalismo com que decorrem é outro dos aspetos que gostariam de ver alterados.
No caso do 4.º ano, o Conselho Nacional de Educação recomenda que o fim dos
exames seja pelo menos substituído por outro tipo de avaliação externa, como as
provas de aferição.
MAIS
UM EXAME
No parecer do CNE sobre a avaliação no ensino básico, pedido pela
comissão parlamentar de educação, este órgão consultivo acrescenta outras
sugestões e propõe que se crie, "pelo menos no 9.º ano", um novo
exame nacional, com peso na nota dos alunos e que teste a "literacia científica".
Acima de tudo, defende David Justino, é preciso dar estabilidade ao sistema e,
antes de tomar decisões, "que se faça uma análise rigorosa do que se quer
substituir e do impacto do que se quer eliminar", declarou, numa crítica
expressa às alterações constantes no sistema educativo no passado e no
presente.

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